Rompimento de Represas

10/10/2016

O rompimento de uma represa revela o descaso com o ser humano e o meio ambiente, revela a ganância e o olhar fixo em lucros financeiros. Povoados destruídos pela enxurrada de lama com materiais pesados nocivos à saúde, uma bacia hidrográfica contaminada por décadas, espécies de peixes extintas em questão de horas. Famílias com suas histórias soterradas pelo mar de lama e entulhos, adultos e crianças que revelarão doenças em futuro próximo. Lentidão governamental, em todos os níveis, para responder à tragédia. Tragédia anunciada - uma represa inicia seu rompimento quando do aparecimento de pequenas fissuras que aumentam pela grande pressão recebida da água represada. Pensar que poderia ser evitada com um projeto de reciclagem dos rejeitos da empresa ao custo de um dia de lucro; separação dos materiais e elaboração de tijolos que poderiam ser utilizados na construção civil. A igreja de Cristo se mobiliza, chora com os que choram, divide seus bens, cuida dos feridos, proclama as Boas Novas, cumpre sua missão. A tragédia ambiental me fez lembrar da tragédia relacional exposta pelo sábio: “O início do desentendimento é como a vazão de águas represadas; por isso desista da questão antes que haja briga” (Provérbio 17.14). O início do rompimento de um relacionamento humano costuma começar com questiúnculas que vão provocando rachaduras que comprometem toda a estrutura relacional. Quem muito colabora para essa tragédia é o insensato; a recomendação é afastar-se dele, principalmente quando no auge de seu comportamento padrão: “Melhor é encontrar-se com uma ursa cujos filhotes lhe foram roubados do que com o insensato na sua tolice” (Provérbio 17.12). E olha que encontrar-se com uma ursa calminha é uma experiência apavorante; imagine com uma sem os filhotes e acreditando que você seria o responsável. Nada bom; no entanto, melhor do que “dar corda” numa discussão com o insensato. Até para ajudá-lo é difícil porque ele é “cabeça dura”: “A repreensão deixa marcas mais profundas no prudente do que cem açoites no insensato” (Provérbio 17.10). E veja que o número máximo de chicotadas permitido pela lei judaica para corrigir ou punir alguém era quarenta; relacionar-se com insensatos é tarefa árdua. Outro colaborador para o rompimento relacional é o que vive amargurado com questões do passado: “Quem perdoa a transgressão busca a amizade, mas quem traz o assunto de volta afasta os amigos íntimos” (Provérbio 17.9). É alguém do tipo: “hoje as coisas estão bem, mas você deve se lembrar de quando me ofendeu falando o que falou”; ou pior, do tipo: “hoje as coisas estão bem entre vocês, mas vocês estão lembrados quando brigaram feio no ano passado”. Gente tóxica, se você der ouvidos terá problemas. O desentendimento está começando? Desista da questão! Não vale a pena ganhar uma discussão e perder um relacionamento. “Eu não vou desistir porque estou com a razão, e ele terá que admitir”. “Eu nunca levei desaforo para casa e não será agora que irei levar”. “Se ela acha que vai ganhar no grito está muito enganada”. Essas são algumas das desculpas que encontram espaço nas mentes e passam a orientar as ações diante de conflitos, mesmo em seus inícios. Não quero sair perdendo, então alimento o desentendimento que irá terminar como a vazão de uma represa. Desista da questão. Sim, é bem possível que pensem que você é fraco, sem personalidade, fácil de levar; lembre-se de que o que Deus pensa de você é bem mais importante do que aquilo que as pessoas pensam. Os sistemas de valores são muito diferentes, reflita no texto bíblico: “Quem tem paciência é melhor que o guerreiro; quem tem domínio próprio é melhor que aquele que conquista uma cidade” (Provérbios 16:32). Desistir da questão que está iniciando um desentendimento não é abrir mãos de seus valores ou ser capacho do outro. É ter bem claro em seu sistema de valores que “no que depender de vocês, façam todo o possível para viver em paz com todas as pessoas” (Romanos 12:18 NTLH). Pessoas diferentes em suas concepções religiosas, políticas, culturais. Pessoas com gostos distintos: cores preferidas (o branco já não é só branco; ele é oferecido em 50 tons), estilos musicais (tema preferido para desentendimentos na membresia de igrejas evangélicas), tipos de filmes (como alguém pode não gostar de Star Trek, Star Wars ou dos filmes da Marvel?), estilo de se vestir (conseguimos unir o que há algum tempo eram opostos no ‘brega chique’), como decorar a sala de trabalho (como um pastor pode gostar de corujas como decoração? Teria que ser ovelhas!). A conversa está se encaminhando para um desentendimento? A “prosa” não está tomando um bom rumo? Desista da questão. Os valores do Reino são muito diferentes dos valores do mundo; releia o Sermão do Monte e veja o quanto temos a desistir, o quanto temos de renunciar. A contenda já teve início? As fissuras na represa já estão à mostra? A tragédia já se anuncia? Seguem algumas orientações do sábio de Provérbios: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura provoca a ira” (15.1), “O homem que se irrita com facilidade provoca conflitos, mas o paciente apazigua brigas” (15.18), “A sensatez do homem o torna paciente, e sua virtude está em esquecer as ofensas” (19.11), “Evitar conflitos é motivo de honra para o homem, mas todo insensato se envolve neles” (20.3). Aprendo com Davi. Suave em sua harpa. Firme em suas guerras. Fiel em seu reinado. Humano em suas experiências: “Também os que buscam tirar-me a vida preparam armadilhas contra mim, e os que procuram o meu mal dizem coisas prejudiciais; o dia inteiro maquinam traição. Mas eu, fingindo-me de surdo, não ouço e fico como um mudo que não abre a boca. Assim fico como quem não ouve, em cuja boca não há resposta. Mas, SENHOR, espero por ti; tu, Senhor meu Deus, responderás” (Salmo 38.12-15). Fingir-se de louco ou morto nem sempre é mau negócio!

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