A Trindade

10/10/2016

 

Existem quadrinhos que se tornaram clássicos no mundo dos fãs, recentemente adquiri um. Estou em uma de minhas caminhadas livrescas e vejo na banca de jornal “Mulher-Maravilha, Batman e Superman: trindade”. A história foi originalmente publicada no ano de 2003 nos Estados Unidos numa série de 3 volumes, uma nova edição não pode ser desprezada. O lançamento apresenta os 3 volumes em edição única, tudo de bom. Meu interesse é mais do que pela história em si, mas é pelo que acredito estar por trás do texto escrito e das imagens coloridas. Escolheram a capa do primeiro volume, sendo que ao final reproduzem as outras duas capas. Só em parar e observar as três capas podemos perceber intenções múltiplas dos autores, a postura e posicionamento dos heróis e da heroína já trazem questões; mas isso é outra história.

 

É interessante observar o quanto os temas religiosos têm sido explorados nas ficções, os temas cristãos não fogem a regra. Trindade é um dos temas desafiadores da teologia cristã, não é sem propósito que seja apresentado em filmes e quadrinhos. Algumas crenças pessoais auxiliam meu olhar: 1) o mundo jaz no Maligno, 2) os filhos das trevas são mais astutos do que os filhos da luz, 3) Satanás atua através da instrumentalidade humana na tarefa de banalizar a Palavra de Deus. Nossa heroína e nossos heróis são descritos com seus perfis psicológicos, suas manias, seus desejos, suas motivações. A inclusão da Mulher Maravilha no universo masculino dos heróis e na formação da trindade é instigante. Ela se apresenta de forma magnífica. O lugar do feminino na trindade é outra história. A luta dos três é contra o demônio, ironicamente (será?) ele pretende salvar o planeta aniquilando a humanidade, e quem tomaria nosso lugar? Seguidores e descendentes do demônio? E o que pensar do propósito do ladrão em roubar, matar e destruir? Satanás atua através da instrumentalidade humana. A trindade ficcional salvadora da humanidade não é sem propósito. Penso que filmes e quadrinhos são bons instrumentos para se “fazer a cabeça” de uma geração. Valores são apresentados de forma atraente, empolgante, envolvente. Os valores cristãos são constantemente questionados e ridicularizados enquanto princípios “libertadores” são apresentados como a opção mais inteligente e humana a ser feita. Alguns temas da teologia são recorrentes nas ficções: a origem do mal, a luta do bem contra o mal, a figura do salvador. Incluímos a Trindade. Chegamos ao livro “Pai, Filho e Espírito: a Trindade e o evangelho de João” de autoria de Andreas J. Köstenberger e Scott R. Swain, editado pela Vida Nova. Ao desenvolver o tema da devoção a Cristo nos primórdios do cristianismo e o monoteísmo exclusivista dos judeus escreve: “A humanidade de Jesus (sua carne, 1,14) é necessária sobretudo para a eficácia de sua morte redentora na cruz (p. ex., 6.51-58). O quarto Evangelista, de modo significativo, dá testemunho da plena humanidade de Jesus na cruz (19.34-35). Jesus também é apresentado como uma pessoa dotada do Espírito (1.32-33; 3.34) e que realiza uma série de sinais surpreendentes, os quais confirmam sua identidade messiânica (p. ex., 2.11). O papel do Espírito como “outra presença auxiliadora” e como enviado por Deus e por Jesus o vincula de forma indissociável a Jesus, o Filho. A unidade trina do Pai, do Filho e do Espírito forma o paradigma e a base para o amor e a unidade entre os seguidores de Jesus e para a missão que eles têm no mundo, uma vez que eles representam sua mensagem e seguem seu Senhor (20.21; cf. 17.18)” (p. 54s). O tema da Trindade tem sido debatido e apresentado controvérsias desde a era patrística. Ário em 318 A.D. nega a existência de um Deus Trino pregando 1) o Filho e o Pai não eram a mesma pessoa. 2) o Filho é criação do Pai, 3) houve um tempo em que o Filho não existia. Hoje essas ideias são defendidas pelos Testemunhas de Jeová. A isso responde o Concílio de Niceia em 325 A.D.: “Cremos em um só Deus, Pai todo poderoso, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis; E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus, gerado do Pai, unigênito, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial do Pai, por quem todas as coisas foram feitas no céu e na terra, o qual por causa de nós homens e por causa de nossa salvação desceu, se encarnou e se fez homem, padeceu e ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus e virá para julgar os vivos e os mortos; E no Espírito Santo. Mas quantos àqueles que dizem: 'existiu quando não era' e 'antes que nascesse não era' e 'foi feito do nada', ou àqueles que afirmam que o Filho de Deus é uma hipóstase ou substância diferente, ou foi criado, ou é sujeito à alteração e mudança, a estes a Igreja anatematiza”. A plena humanidade e a plena divindade de Jesus precisam ser compreendidas a partir do monoteísmo judaico; o evangelista João dificilmente iria se referir a Jesus como “um deus”, ou como alguém que teria sido “tornado Deus”. O Verbo era Deus (João 1.1). E o Espírito? Além dos milagres e maravilhas que operou e que foram registrados no livro de Atos dos Apóstolos, que bem poderia ser chamado de Atos do Espírito Santo temos o registro do apóstolo João: “Ao dizer isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao verem o Senhor. Então Jesus lhes disse pela segunda vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio. E havendo dito isso, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (João 20.20-22). Espírito, um com o Filho, um com o Pai. Trindade eterna. Anunciemos a Trindade que salva!

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