Walking Dead e a Lava Jato

10/10/2016

Não gosto de filmes sobre zumbis. Há muito tempo tenho sido desafiado por amigos a assistir episódios da série Walking Dead e vinha resistindo, até alguns dias atrás. Não era por puro pre-conceito, eu já assistira alguns filmes de zumbis e me entediava com o andar característico: passadas ritmadas e incansáveis em perseguições aos vivos, que se alcançados seriam transformados em novos mortos-vivos.

Tentei assistir um filme da nova geração de zumbis, esses já correm e transmitem novos e poderosos vírus, parecem mais inteligentes e organizados, ainda não me agradaram. Bem, comecei a ler sobre a série e atentar para a fala de meus amigos: “Você vai gostar”, “O foco não está nos zumbis”, “A série é rica sobre o comportamento humano”. Ok, eles venceram. Fiz a minha iniciação assistindo o primeiro episódio da série. O subdelegado Rick caminha entre uma cena de destruição em direção a um posto de gasolina a fim de obter combustível para seu carro. Ele ouve um ruído e procura saber do que se trata, abaixa-se e vê as pernas do que parece ser uma criança, a pessoa (será?) abaixa-se e pega um bichinho de pelúcia. Rick levanta-se e constata, sim, é uma criança (será?). Ele procura não assustá-la, reação natural de um policial. Ela volta-se para ele e temos a triste revelação: e uma zumbi que olha fixamente para o policial, a intenção é nítida: ‘quero destruí-lo’, ‘vou devorá-lo’. Um brevíssimo instante de reflexão e a decisão pela sobrevivência. O policial saca sua arma e atira na cabeça da criança-zumbi, ou do zumbi-criança. A cena não poderia ser mais impactante. Uma criança representa aquilo que entendemos de inocência e esperança para o futuro, e vemos uma sendo morta com um tiro na cabeça. Mas espere, um zumbi não pode ser considerado uma pessoa; logo não temos o assassinato de uma criança. Além disso sabemos que zumbis não existem, porque nos sentiríamos impactados pela cena? O que o autor quer nos transmitir? Que uma criança pode ser alguém extremamente perigoso? Uma criança pode ameaçar ou mesmo tirar a vida de outra pessoa? Perdemos a inocência muito cedo em nossa história de vida? Ou quer nos passar de que somos capazes de assassinar a própria inocência quando vemos nossa sobrevivência ameaçada? Quando penso que já esgotei minha indignação com as revelações da Operação Lava Jato e suas operações-filhas sou surpreendido. Recentemente ouvi o depoimento de um casal que tem sido denunciado pelo recebimento de recursos por meios não oficiais, e por isso não declarados, pelo trabalho realizado quando das últimas eleições presidenciais. Ela afirma que mentiu nos primeiros depoimentos porque não queria prejudicar a candidata para quem trabalhou, ele afirma que mentiu como resultado de pressão psicológica e porque não acreditava que poderia permanecer preso. As coisas não saíram como o esperado, eles foram presos e assim continuaram. Os sorrisos e cinismo iniciais se transformaram em delação premiada. Os outrora amigos e parceiros parecem que se transformaram em zumbis e para garantir a sobrevivência pessoal passam a revelar detalhes obscuros de uma trama que parece não ter fim. Relembro um momento na história do rei Davi. “Naquele dia, Davi se levantou, fugiu de Saul e foi encontrar-se com Áquis, rei de Gate. Mas os servos de Áquis lhe perguntaram: Este não é Davi, o rei da terra? Não era sobre ele que cantavam nas danças, dizendo: Saul matou milhares, mas Davi, dez milhares? Davi pensou muito nessas palavras e teve muito medo de Áquis, rei de Gate. Por isso, mudou de atitude na presença deles e fingiu-se de louco; ele riscava os portões e deixava correr a saliva pela barba. Então Áquis disse aos seus servos: Vedes que este homem está louco! Por que o trouxestes a mim? Será que me faltam loucos, para que o trouxésseis diante de mim para fazer loucuras? Ele entrará na minha casa?” (1 Samuel 21.10-15). A ameaça de Saul era real: “Então Davi fugiu de Naiote, em Ramá, foi até Jônatas e lhe disse: Que fiz eu? Qual foi o meu erro? Em que pequei contra teu pai, para que ele procure tirar-me a vida?” (1 Samuel 20.1). Também era real a promessa de Deus de que ele seria o próximo rei de Israel; embora não lhe fosse revelado como isso se daria: ”O SENHOR disse a Samuel: Até quando terás dó de Saul, tendo eu o rejeitado para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite e vem; eu te enviarei a Jessé, o belemita, porque escolhi um de seus filhos para ser rei” (1 Samuel 16.1). O filho mais novo é trazido à presença do profeta: “Então o SENHOR disse: Levanta-te e unge-o, porque é este mesmo. Então Samuel pegou o vaso de azeite e o ungiu diante de seus irmãos; e, daquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi” (1 Samuel 16.12-13). Um momento de reflexão e uma decisão. Davi, o homem segundo o coração de Deus e ungido para ser o próximo rei de Israel, para sobreviver fingiu-se de louco. A cena é grotesca; um homem vitorioso em tantas batalhas, admirado pelos seguidores e temido pelos inimigos babando pelas ruas da cidade. E o que dizer de Saul? Ele, o rei escolhido por Deus: “Então Samuel pegou um vaso com azeite e o derramou sobre a cabeça de Saul. E o beijou e disse: Por acaso o SENHOR não te ungiu para seres príncipe sobre a sua herança? (1 Samuel 10.1), sentindo-se ameaçado procurou tirar a vida de um servo que lhe era fiel. Parece que somos perigosos quando nossa sobrevivência é ameaçada ou quando assim nos sentimos.

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